A ministra interina das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves, alertou para um preocupante “apagão” no debate sobre igualdade de gênero no Brasil e no mundo. Segundo ela, a restrição a discussões sobre o tema nas escolas tem aberto espaço para a proliferação de grupos extremistas em redes sociais, o que pode, consequentemente, estimular a violência contra mulheres.
A declaração foi feita durante uma audiência na Comissão Mista Permanente de Combate à Violência contra a Mulher, no Congresso Nacional. Na ocasião, Eutália Naves anunciou uma parceria estratégica com o Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de institucionalizar o ensino da Lei Maria da Penha nos currículos da educação básica. Esta iniciativa visa cumprir as diretrizes da Lei 14.164/21, que já prevê a abordagem da prevenção à violência contra a mulher no ambiente escolar.
“Nós vivemos um período de apagão e de criminalização do debate da igualdade de gênero no Brasil e no mundo. Se tem um espaço vazio, se não se pode levar o debate para a formação cidadã, a gente vai esvaziando o tema”, ressaltou a ministra, enfatizando a importância de manter o diálogo aberto.
A ministra também fez uma conexão direta entre a ausência desse debate nas instituições de ensino e o crescimento de comunidades misóginas online, como a “machosfera” e o movimento “Red Pill”, especialmente ativos em plataformas como o TikTok. Ela apontou que esses grupos conseguem atrair um público jovem, majoritariamente masculino, e disseminam conteúdos que podem incentivar a agressão contra mulheres, muitas vezes motivada por rejeição. “Isso sim é um processo de ideologia que está tomando conta de uma população muito jovem de homens”, alertou.
Em resposta a esse cenário, o governo está trabalhando em conjunto com o MEC para a elaboração de portarias que formalizem ações de combate à violência contra a mulher em escolas e universidades. Entre as medidas planejadas estão a criação de um protocolo específico para o enfrentamento da violência no ambiente universitário e a expansão do programa “Maria da Penha vai às Escolas”.
O objetivo central é que a discussão sobre igualdade de gênero e a prevenção à violência contra a mulher transcenda campanhas pontuais e semanas temáticas, tornando-se parte integrante e permanente do currículo escolar. “Não dá mais para a gente não colocar conteúdos dessa natureza na formação de meninas e meninos no ambiente escolar”, concluiu a ministra, sublinhando a urgência de preparar as novas gerações para uma sociedade mais justa e igualitária.

