A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado Federal deu um novo passo em suas investigações nesta quarta-feira (18), aprovando requerimentos que visam desvendar a fundo o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. O foco principal agora recai sobre a identificação dos beneficiários finais dos fundos vinculados à instituição e à Reag Investimentos.
Por outro lado, a comissão rejeitou em votação o pedido para quebrar os sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, que vinha sendo apontado por parlamentares governistas como um possível facilitador das irregularidades por meio de políticas de desregulação do mercado financeiro. A decisão contou com seis votos contrários e dois a favor.
Em outra decisão, a maioria dos membros da CPI negou, por seis votos a quatro, a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, como testemunha. Recentemente, Valdemar havia mencionado em entrevista doações de R$ 3 milhões de um familiar de Daniel Vorcaro, figura central nas investigações, para a campanha de Jair Bolsonaro, além de contribuições para Tarcísio de Freitas em sua disputa pelo governo de São Paulo.
Em contrapartida, a CPI aprovou a convocação da empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro. Parlamentares suspeitam que ela pode ter recebido um imóvel de R$ 450 milhões do banqueiro, configurando possível ocultação de patrimônio.
Também obteve luz verde a convocação de dirigentes e sócios, além da quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da Prime Aviation. A empresa, associada a Vorcaro, é apontada como utilizada para o transporte de aliados e parceiros em voos particulares. A senadora Soraya Thronicke (Podemos/MG), autora dos requerimentos, destacou que a empresa seria uma peça chave na lavagem de dinheiro e teria cedido aeronaves para campanhas políticas, evidenciando a ligação do grupo com o núcleo político investigado.
A CPI também aprovou a convocação do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, conhecido por suas denúncias de fraudes em crédito consignado que teriam prejudicado servidores estaduais.
Uma sessão que previa ouvir o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, foi impactada por uma decisão do ministro André Mendonça (STF), que tornou seu comparecimento opcional, resultando em sua ausência.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou um requerimento crucial para identificar os beneficiários finais de fundos de investimento exclusivos ou restritos geridos pelo Banco Master ou pela Reag Investimentos. O pedido, aprovado pela comissão, solicita às entidades reguladoras como CVM, Banco Central e Receita Federal, além da Anbima, a identificação completa desses beneficiários.
Vieira explicou que a identificação do beneficiário final é um desafio complexo no combate à lavagem de dinheiro, pois diversas camadas de fundos são frequentemente utilizadas para ocultar a origem e o destino dos valores. Ele ressaltou que tais fundos podem ser desvirtuados para fins criminosos, inserindo capital ilícito no mercado financeiro formal.
A oposição manifestou descontentamento com a rejeição dos pedidos de quebra de sigilos de Paulo Guedes e a não convocação de Valdemar da Costa Neto, além de requerimentos de quebra de sigilos de Roberto Campos Neto (ex-presidente do BC) e João Roma (ex-ministro), que foram retirados. O senador Marco Rogério (PL-RO) argumentou que tais pedidos extrapolavam o escopo da CPI e tinham motivações político-eleitorais, enquanto o senador Rogério Carvalho (PT-SE) contrapôs que o esquema do Banco Master prosperou durante a gestão econômica anterior, que deveria ter supervisionado o mercado financeiro.

