A aprovação da PEC que põe fim à escala de trabalho 6×1, nesta quarta-feira (14/10), e as recentes manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) representam um respiro bem-vindo para a campanha do petista, mas dificilmente serão suficientes para conquistar o eleitorado que não se identifica nem com Lula nem com o campo bolsonarista. A avaliação é de Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, em entrevista ao WW.
Segundo Aragão, a mobilização nas ruas e a narrativa em torno da PEC fortalecem o universo que já aderiu a Lula. “Sem dúvida, o Lula conseguiu um respiro a partir da mobilização”, afirmou.
Manifestações robustas, mas com ressalvas
O analista ponderou, porém, que os atos foram acompanhados de episódios que podem afastar o eleitor indeciso, como queima de bandeiras, exibição da bandeira da Palestina e depredação de estações de metrô. Para ele, as manifestações, embora expressivas, evocaram imagens dos protestos de 2013, com episódios atribuídos a grupos radicais. “Eu discordo um pouco da análise que ele retomou as ruas, porque foram manifestações robustas, sem dúvida, mas acompanhadas de expressões que o eleitorado que vai decidir a eleição fica um pouco preocupado”, disse.
Na avaliação do analista, esse cenário gera dúvidas sobre a capacidade de a mobilização atrair o eleitor indeciso ou aquele que não votou em nenhum dos dois candidatos no primeiro turno.
Campanha de Flávio perde ritmo
Aragão também avaliou que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou relaxamento após o bom desempenho no primeiro turno. Segundo ele, os trackings chegaram a marcar seis pontos de vantagem para Flávio, mas houve refluxo a partir de segunda-feira (12), quando o engajamento de Lula nas redes sociais atingiu o maior nível desde o início da campanha. “Sem dúvida, a campanha do Lula ganha uma atração”, avaliou.
Disputa incerta e PEC da Segurança Pública
Apesar da recuperação de Lula nos indicadores, Aragão ressaltou que a corrida segue muito apertada. “Hoje já tem trackings que já dá um ligeiro crescimento para o Flávio”, observou.
O analista chamou atenção ainda para a PEC da Segurança Pública, que deve ser votada em breve e inclui a discussão sobre a redução da maioridade penal. Segundo ele, o tema é uma espécie de armadilha para os governistas, já que muitos eleitores concordam com a proposta. “É um tema que é meio que uma armadilha porque muitos eleitores no Brasil concordam com essa tese”, concluiu.
Com informações da CNN.

