O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou nesta segunda-feira (16) o interesse do Brasil em aumentar tanto a produção quanto a importação de gás natural proveniente da Bolívia. A declaração ocorreu durante a visita oficial do novo presidente boliviano, Rodrigo Paz, ao Palácio do Planalto, onde a cooperação energética foi destacada como um eixo fundamental na relação bilateral.
Em um cenário global com instabilidades no fornecimento de combustíveis, Lula ressaltou a Bolívia como um parceiro confiável e o principal fornecedor de gás natural para o Brasil. Ele mencionou conversas com Paz sobre a expansão de investimentos e o incremento do volume exportado para o mercado brasileiro, fortalecendo uma parceria que, segundo ele, tem raízes históricas com a Petrobras e a integração energética na América Latina.
Além da energia, os dois países assinaram um acordo para a interconexão de seus sistemas elétricos, com a previsão de uma linha de transmissão entre a província de Germán Busch e o município de Corumbá. O Brasil também se mostrou aberto a cooperar com a Bolívia em biocombustíveis e energias renováveis, visando maior segurança energética, diversificação de fontes e descarbonização.
A mineração foi outro ponto de destaque, com o presidente Paz apontando o potencial boliviano em diversos minerais e a importância de relações sólidas com países como o Brasil. Outros acordos foram firmados para cooperação turística e para o combate intensificado ao crime organizado transnacional, abrangendo áreas como narcotráfico, tráfico de pessoas e crimes ambientais.
No âmbito comercial, Lula lamentou a queda recente no intercâmbio bilateral, que passou de US$ 5,5 bilhões em 2013 para US$ 2,6 bilhões em 2025. Ele expressou otimismo quanto a oportunidades em setores como alimentos, agronegócio e biotecnologia, contando com o apoio da Embrapa. O presidente boliviano participará de um evento empresarial em São Paulo nesta terça-feira (17) para explorar essas possibilidades, acompanhado por uma delegação de empresários.
A futura construção de uma segunda ponte ligando os dois países, prevista para iniciar em 2027, também foi mencionada como um fator crucial para facilitar o intercâmbio comercial e logístico, conectando produtores sul-americanos aos mercados asiáticos através do Oceano Pacífico.

