No último ano, o Brasil alcançou um marco significativo na formalização de seus empreendedores. De cada 100 pessoas que iniciaram ou mantiveram um negócio em 2025, 35 possuíam um Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), totalizando 10,7 milhões de indivíduos formalizados. Este índice representa a maior proporção já registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados, divulgados em uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, mostram um avanço considerável em relação aos anos anteriores. Em 2012, apenas 24% dos empreendedores possuíam CNPJ. O índice subiu para 29,3% no ano anterior à pandemia e alcançou 33,6% em 2024, culminando nos 35% de 2025.
A formalização através do CNPJ oferece diversas vantagens aos trabalhadores, incluindo a possibilidade de emitir notas fiscais, acessar linhas de crédito e serviços bancários empresariais, contratar funcionários de forma legalizada e garantir benefícios previdenciários. Além disso, a formalização contribui para a economia através do pagamento de tributos.
A pesquisa do IBGE abrange 30,6 milhões de empreendedores no país em 2025, definidos como empregadores ou trabalhadores por conta própria. Desse total, quase 20 milhões (65%) ainda operam sem o registro formal.
O levantamento detalha ainda a situação por categoria. Entre os empregadores, a formalização é alta, com 81,1% possuindo CNPJ, um patamar considerado estável desde 2019. Já entre os trabalhadores por conta própria, o índice de formalização atingiu 27,1% em 2025, o maior da série histórica iniciada em 2012, quando o índice era de apenas 15%.
Apesar do recorde, o analista da pesquisa, William Kratochwill, ressalta que a taxa de formalização entre os autônomos ainda é considerada baixa e a associa diretamente ao nível de instrução. Trabalhadores com nível superior completo apresentaram a maior taxa de registro formal (50,8%), enquanto aqueles com ensino fundamental completo e médio incompleto registraram os menores percentuais (18,6%).
Programas como o Microempreendedor Individual (MEI) são apontados como impulsionadores da formalização, especialmente entre os autônomos com maior escolaridade. O MEI simplifica o processo de registro, permite a emissão de documentos fiscais e o acesso a direitos previdenciários.
Por setor de atividade, comércio e serviços lideram a formalização. O comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas apresentou taxa de 36,7%, seguido por serviços, com 33,5%. Indústria geral (22,8%), construção (14,8%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (6,5%) registraram índices inferiores.
Em outras frentes, a pesquisa indicou uma tendência de redução na associação de empreendedores a cooperativas, caindo de 6,3% em 2012 para 4,7% em 2025. Já a sindicalização mostrou estabilidade em 2025, com 8,8% dos ocupados ligados a sindicatos, após uma queda acentuada desde 2017, influenciada pela reforma trabalhista e pela percepção sobre a qualidade dos serviços sindicais. A adesão de jovens à sindicalização continua baixa, enquanto trabalhadores mais velhos apresentam um movimento de saída.

