Uma nova comissão na Câmara dos Deputados, focada no combate à pirataria, contrabando e sonegação fiscal, inicia suas atividades com o objetivo de mobilizar estados e instituições em uma frente unificada contra a economia ilegal. Coordenada pelo deputado Julio Lopes (PP-RJ), o grupo visa apresentar um plano de trabalho abrangente e propor audiências públicas para discutir a gravidade do problema.
O deputado Lopes destacou em entrevista à Rádio Câmara que a economia ilegal representa um prejuízo anual estimado em quase R$ 500 bilhões para o Brasil. Ele detalhou que setores como petróleo, bebidas e cigarros são particularmente afetados pela sonegação, com valores que ultrapassam R$ 62 bilhões, R$ 55 bilhões e R$ 20 bilhões anualmente, respectivamente. Segundo Lopes, a recuperação de apenas 20% desses valores poderia ser suficiente para equilibrar as contas públicas do país.
Para alcançar seus objetivos, a comissão planeja estabelecer parcerias estratégicas com entidades do setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A ideia é utilizar dados e expertise dessas organizações para identificar problemas regionais específicos e direcionar ações de fiscalização e combate de forma mais eficaz.
Lopes citou exemplos de operações bem-sucedidas, como a Compliance Zero em São Paulo, que resultou na apreensão de cerca de R$ 50 bilhões na região da Faria Lima. Ele também mencionou investigações no Rio de Janeiro que identificaram postos de combustíveis ligados ao crime organizado, graças à colaboração com sindicatos e federações empresariais. O deputado ressaltou a conexão intrínseca entre o crime organizado e a economia ilegal, defendendo o bloqueio internacional de recursos dessas organizações como medida crucial.
A cooperação internacional foi apontada como fundamental para o rastreamento e congelamento de ativos de redes criminosas, fortalecendo o combate à lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas que alimentam a economia paralela.

