O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados está em vias de decidir o futuro de parlamentares envolvidos em incidentes ocorridos em agosto de 2025. O relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE), recomendou a suspensão por dois meses dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC).
A acusação central é a tentativa de impedir o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de retomar o controle do plenário durante uma ocupação promovida por deputados da oposição. O protesto, que ocorreu em agosto de 2025, visava manifestar descontentamento com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e pressionar pela votação de uma anistia relacionada aos eventos de 8 de janeiro.
Moses Rodrigues argumentou que a Casa precisa aplicar uma punição exemplar. “Esta Casa deve impor reprimenda severa, para que fique claro que este Parlamento não tolera o cometimento de infrações dessa natureza”, declarou o relator. Ele enfatizou que a imposição de pautas através da ocupação física dos espaços de deliberação não pode ser tolerada, independentemente da orientação política dos envolvidos.
Em um caso separado, o deputado Ricardo Maia (MDB-BA) também apresentou um relatório, desta vez recomendando a suspensão de Marcos Pollon por 90 dias. Esta representação, também originada da Mesa Diretora, acusa Pollon de ter proferido ofensas de caráter pessoal contra o presidente Arthur Lira durante o mesmo incidente da ocupação do plenário.
A decisão sobre os relatórios foi adiada. O líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), solicitou vista dos documentos, e a análise foi postergada para a próxima semana. Nesta quarta-feira (29), o Conselho de Ética realizará o sorteio de relatores para nove outras representações que foram encaminhadas ao colegiado ao longo deste ano, envolvendo diversos parlamentares.

