A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu, nesta segunda-feira (16), a oitiva de Aristides Veras dos Santos, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag).
O depoimento, considerado crucial para o andamento das apurações, foi solicitado por um grupo de parlamentares, incluindo os senadores Fabiano Contarato (PT-ES), Izalci Lucas (PL-DF), Rogério Marinho (PL-RN) e Eduardo Girão (Novo-CE). A intenção era aprofundar as investigações sobre possíveis falhas e desvios.
O pedido de convocação de Veras dos Santos, segundo o senador Fabiano Contarato, visava esclarecer detalhes sobre um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre a Contag e o INSS em novembro de 2022. Já o senador Izalci Lucas destacou a necessidade de apurar indícios de irregularidades em descontos associativos aplicados em benefícios previdenciários, conforme apontado em investigações e auditorias.
Requerimentos assinados por Rogério Marinho e Eduardo Girão, entre outros, levantaram a preocupação de que entidades sindicais ligadas ao setor rural teriam recebido mais de R$ 12,5 bilhões entre 2008 e 2025, provenientes de descontos associativos autorizados pelo INSS. Esse montante representaria cerca de 72% do total repassado pelo sistema de consignações no período.
A CPMI do INSS, composta por 16 senadores e 16 deputados, foi instaurada para investigar um esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários, descoberto pela operação “Sem Desconto”, deflagrada pela Polícia Federal em colaboração com a Controladoria-Geral da União (CGU).

