A área cultural se tornou um ponto central de divergência entre os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Enquanto Lula sinaliza um aumento nos incentivos e fomento ao setor, Flávio Bolsonaro, alinhado à gestão anterior de Jair Bolsonaro, prioriza a preservação do patrimônio histórico.
Durante o governo Bolsonaro, que teve o Ministério da Cultura extinto e substituído por uma secretaria, os investimentos em projetos culturais sofreram uma redução drástica. Os valores destinados a essa área caíram de R$ 245,5 milhões em 2018 para R$ 89,5 milhões em 2022. Em contraste, governos do Partido dos Trabalhadores (PT) historicamente deram maior ênfase a políticas culturais, com a criação de programas como o Vale Cultura e o Fundo do Audiovisual, que direcionaram R$ 3,6 bilhões entre 2023 e 2025.
No que diz respeito à preservação do patrimônio histórico, ambos os planos de governo abordam o tema. Flávio Bolsonaro compromete-se a preservar o patrimônio histórico, desde centros urbanos até obras e acervos. Lula, por sua vez, também propõe a preservação e difusão de saberes, memórias e patrimônios culturais, além do fortalecimento das instituições responsáveis e a valorização de mestres da cultura popular.
Quanto ao financiamento, o plano de Flávio Bolsonaro não prevê aumento, mas sim o aperfeiçoamento das leis de incentivo e a correção de distorções, visando o desenvolvimento regional. Já a proposta de Lula detalha o aprimoramento das Leis Aldir Blanc e Rouanet, a desconcentração regional de recursos e o fomento à infraestrutura cultural em áreas periféricas, por meio do PAC.
O setor audiovisual e a cultura digital também apresentam propostas distintas. O plano de Flávio Bolsonaro não detalha iniciativas para essas áreas. Lula, por outro lado, busca a regulamentação do streaming com foco nos interesses nacionais, o fortalecimento da indústria audiovisual, a proteção de direitos autorais e propriedade intelectual. Além disso, propõe a ampliação do acesso a tecnologias, a regulamentação do direito autoral em ambiente digital e da inteligência artificial, o estímulo ao empreendedorismo cultural, à indústria de games e a integração da cultura com a educação, promovendo o acesso a bens culturais desde a infância.
A histórica atuação do PT na cultura inclui a criação de programas como o Cultura Viva e o Arca das Letras no primeiro governo Lula, a expansão de Pontos e Pontões de Cultura, a criação do Vale Cultura e do Brasil de Todas as Telas no governo Dilma, e a recriação do Ministério da Cultura e o repasse de R$ 3,86 bilhões pela Lei Paulo Gustavo no atual governo Lula. Em contrapartida, a gestão de Jair Bolsonaro reduziu a relevância da área cultural, extinguiu o ministério e diminuiu significativamente os investimentos, embora tenha regulamentado o Pronac em 2021.

