Os mercados financeiros encerraram a quinta-feira (16) sob um clima de apreensão, com o dólar voltando a se aproximar da marca de R$ 5,10. A valorização da moeda americana foi impulsionada tanto pelo cenário internacional quanto pela confirmação de novas tarifas dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, gerando incertezas na economia nacional.
A bolsa brasileira não escapou da aversão ao risco e registrou um recuo superior a 1%. Paralelamente, o preço do petróleo, apesar da escalada de tensões no Oriente Médio, apresentou queda. Os principais indicadores do dia mostraram o dólar a R$ 5,098, com alta de 0,40%; o Ibovespa a 173.825,27 pontos, em queda de 1,24%; e o petróleo Brent a US$ 84,23, recuando 0,85%.
No âmbito doméstico, a decisão dos EUA de impor tarifas sobre parte dos produtos brasileiros, embora com uma lista de exceções mais ampla do que o esperado, aumentou a cautela. O governo brasileiro já manifestou que não vê justificativas para as tarifas e estuda medidas com base na Lei da Reciprocidade. Setores como o de aeronaves, óleo, café e carne foram poupados da nova taxação.
O fortalecimento do dólar no exterior foi acentuado por dados econômicos positivos dos Estados Unidos, que indicam um mercado de trabalho robusto e consumo aquecido. Esses fatores reforçam a expectativa de que os juros americanos permaneçam elevados, favorecendo a moeda dos EUA em detrimento de divisas de economias emergentes. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA ficaram abaixo do esperado, e as vendas no varejo apresentaram o crescimento previsto.
A bolsa brasileira, refletindo o pessimismo internacional, estendeu as perdas da sessão anterior. O Ibovespa foi pressionado por ações de peso, como as da Petrobras, que acompanharam a queda do preço do petróleo, e por ações de mineradoras, influenciadas pela desvalorização do minério de ferro. As incertezas sobre o impacto das tarifas americanas e a possível reação do Brasil também pesaram sobre o índice.
Curiosamente, os preços internacionais do petróleo fecharam em queda, mesmo diante do aumento das tensões no Oriente Médio. A volatilidade marcou o dia, com ameaças de ataques a instalações petrolíferas sauditas e preocupações com a segurança das rotas marítimas estratégicas. Analistas observam que, apesar do recuo pontual, o risco de interrupções na oferta global de petróleo continua a incorporar um prêmio de risco geopolítico aos preços da commodity.

