Apesar da intensa campanha de bombardeios em território libanês, que resultou em centenas de mortes em um único dia, as ações militares de Israel contra o Hezbollah não têm alcançado os objetivos estratégicos anunciados. A avaliação é do capitão da reserva da Marinha brasileira Robinson Farinazzo, que preside o Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (Gsec).
Segundo Farinazzo, a dificuldade em atingir as estruturas do Hezbollah reside na camuflagem e dispersão dos equipamentos do grupo. Ele sugere que a ofensiva israelense pode ter como foco principal impactar a população civil do Líbano, em vez de desmantelar a capacidade militar do grupo xiita.
“Israel não vai acabar com o Hezbollah e acho que eles sabem disso”, afirmou o especialista, especulando que a persistência na campanha pode ser motivada pelo desespero do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, diante de um cenário político internacional instável para os Estados Unidos.
A ameaça de Israel de ocupar o sul do Líbano até o Rio Litani, criando uma zona de segurança, também é vista com ceticismo por Farinazzo. Ele pondera que, embora Israel possa conseguir avançar até o rio, manter a posição seria extremamente difícil, acarretando em altas baixas para suas tropas.
Em resposta aos ataques, o Hezbollah alega ter destruído mais de cem tanques israelenses desde março. O grupo exige o fim dos bombardeios e a retirada completa de Israel do território libanês, enquanto Israel busca o desarmamento do Hezbollah.
A situação se agrava com a retomada dos ataques do Hezbollah contra Israel após a alegada violação de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que levou o Irã a ameaçar abandonar as negociações com Washington.
Em relação ao Estreito de Ormuz, Farinazzo destacou a complexidade de uma reabertura por meios militares convencionais, sugerindo que apenas um ataque nuclear poderia viabilizar tal feito. Ele descreveu como “virtualmente impossível” para os EUA reabrirem a passagem com os recursos atuais no Golfo Pérsico, especialmente diante da capacidade de ataque do Irã.
O especialista concluiu que a diplomacia é a via mais promissora, alertando que uma insistência em ações militares por parte dos EUA poderia ter consequências desastrosas.

