O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), cobrou do atual governador e principal adversário, Tarcísio de Freitas (Republicanos), explicações sobre uma suposta propina paga pelo cunhado de Daniel Vorcaro a Tarcísio. O tema foi incluído pela campanha petista na propaganda eleitoral de rádio nesta sexta-feira (4/9), após divulgação do relato do ex-dono do Banco Master na quinta-feira (3/9).
Em proposta de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro afirmou que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas do governador e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022 foi resultado de uma negociação de propina acertada com Gilberto Kassab (PSD), então secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio. Segundo o relato do ex-banqueiro, R$ 2 milhões foram destinados a Tarcísio e outros R$ 3 milhões a Bolsonaro. Naquele ano, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado no escândalo do Master, foi o maior doador dos dois políticos.
Na propaganda de Haddad, um locutor afirma: “Urgente! Campanha de Tarcísio recebeu propina de Vorcaro. Segundo reportagem, Vorcaro disse à PF que doou R$ 2 milhões para garantir que o crédito cesta do banco Master continuasse a operar consignados com servidores paulistas na gestão de Tarcísio. Tarcísio ganhou a eleição em 2022 e o consignado permaneceu. A população de São Paulo exige respostas”.
Vorcaro diz que doações para Tarcísio e Bolsonaro eram propina
Preso em razão do escândalo do Banco Master, Daniel Vorcaro afirmou que as doações eram “contrapartidas financeiras” decorrentes de um “ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”. O Credcesta é um cartão de crédito consignado e de benefício voltado principalmente para servidores públicos, gerido pela PKL One Participações e associado ao Banco Master.
O relato de Vorcaro, revelado pelo UOL na quinta-feira (3/9), consta em delações negadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em trecho da tentativa de delação, Vorcaro afirmou que, diante da provável eleição de Tarcísio, o sócio do banco Augusto Lima — responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, principal ativo do Master — teria tentado assegurar a continuidade do negócio com o governo de São Paulo.
Segundo Vorcaro, o pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado de forma integral em dinheiro. No entanto, “Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”. No fim de agosto, Vorcaro pediu para depor ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta de delação, no entanto, foi negada pela terceira vez, sob a justificativa de ausência de fatos novos.
“Beira o ridículo”
Tarcísio de Freitas classificou a alegação de propina como algo que “beira o ridículo”, horas após a declaração de Vorcaro ser publicada. “Imaginar que eu vou pedir algum favorecimento ou que o presidente Bolsonaro ia pedir algum favorecimento é uma coisa que não faz o menor sentido”, afirmou o governador, em entrevista a jornalistas durante evento em Indaiatuba, no interior paulista.
Tarcísio afirmou que a PKL, instituição que operava o Credcesta em São Paulo, foi credenciada para atuar no estado ainda na gestão de João Doria (então no PSDB), por atender aos requisitos do Banco Central para operar na unidade federativa. “A gente tem, no estado de São Paulo, 217 instituições que fazem consignação. […] É um contrato com o estado? Não. É um credenciamento. Quem cumpre requisitos do Banco Central é credenciado, não tem como negar o credenciamento”, disse o governador, acrescentando que a autorização da empresa foi desfeita assim que ocorreu a liquidação do Banco Master. Tarcísio também reafirmou que nunca esteve com Vorcaro ou com Zettel, classificando a acusação como “um absurdo”.
Mais cedo, Gilberto Kassab, hoje candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), também negou irregularidades. “Eu nem apoiei o Bolsonaro para presidente e nunca tive nenhuma relação com Vorcaro, muito menos com doação para a campanha que enquadra eles. Que se apure. Vocês vão ver que é fantasioso isso. Uma ilação ou uma ação de má-fé”, declarou.
Kassab participava da mesma agenda de Tarcísio — o lançamento da candidatura a deputado estadual de Rogério Nogueira (PSD) —, mas os dois permaneceram em lados opostos do palco durante o evento. Apesar de apoiar a reeleição de Tarcísio, Kassab teve atritos recentes com o governador: o político, que foi secretário de Tarcísio, pretendia ocupar a vaga de vice na chapa para a disputa deste ano, mas foi preterido em favor de Felício Ramuth (MDB). Após isso, Kassab deixou o governo paulista e acabou lançado como vice na chapa de Caiado na disputa pelo Palácio do Planalto.
*com informações do Metrópoles

