Oito anos após o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, a Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene nesta quarta-feira (11) para honrar suas memórias. O evento, presidido pelo deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), destacou a importância da mobilização social na elucidação do crime e o impacto duradouro de suas lutas.
Tarcísio Motta, colega de partido de Marielle, ressaltou que a vereadora representava um obstáculo para interesses econômicos ligados a milícias. Ele enfatizou que a condenação dos mandantes pelo Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou o caráter político do crime, visando silenciar vozes dissonantes e impedir o avanço de suas ideias. “Esses dois lados do processo precisam ser encarados de forma conjunta. E aí temos a primeira derrota deles, dos assassinos”, declarou.
O deputado lembrou que a verdadeira derrota dos responsáveis ocorreu não apenas com o julgamento recente, mas com a resiliência dos movimentos sociais. “A derrota deles foi que a semente germinou e nenhum de nós se calou, porque os movimentos sociais tomaram as ruas e impediram que esse crime político fosse mais um crime político sem elucidação na sociedade brasileira”, pontuou Motta.
A condenação unânime dos mandantes e envolvidos no caso, ocorrida em 25 de fevereiro, impôs penas severas. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão foram sentenciados a 76 anos de prisão, enquanto outros três indivíduos foram condenados por homicídio e obstrução de justiça, marcando um passo significativo na busca por justiça.
A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), uma das proponentes da sessão, sublinhou a relevância do evento para a democracia brasileira, especialmente após a condenação dos mandantes. Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, acrescentou que a condenação, embora fundamental, não representa o fim da jornada pela justiça. “A condenação foi uma resposta, mas a justiça não terminou com a condenação dos mandantes, apesar de ter sido uma resposta fundamental à democracia”, afirmou.
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, destacou a necessidade de transformar em realidade os projetos políticos voltados para a proteção das mulheres. Ela criticou a tentativa de silenciar vozes através da violência, mencionando recentemente um estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro como mais um exemplo da violência que assola o país.
Agatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes, participou virtualmente da sessão e compartilhou que a justiça trouxe um sentimento concreto de esperança. “O caminho foi aberto para que o Brasil possa olhar com mais coragem, para que a questão possa ser resolvida. E não pode ser um compromisso só no passado, só com ele, é uma tarefa do presente. O que começou em 2018 só abriu a porta de algo muito maior”, disse.
A ministra interina das Mulheres, Eutália Barbosa, presente no evento, ressaltou que Marielle transformou sua própria história em um símbolo de luta e dignidade. Janine Mello, secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos, enfatizou que a memória de Marielle e Anderson deve ir além da responsabilização criminal, exigindo um compromisso coletivo contra a aceitação de crimes semelhantes. Mello também destacou a urgência em avançar na proteção de defensores de direitos humanos e no combate à violência política de gênero e raça.

