Isabela Karen, irmã da Miss Manicoré Kimberly Karen Mota de Oliveira, assassinada a facadas em Manaus em maio de 2020, usou as redes sociais para demonstrar indignação com a mudança do regime prisional de Rafael Fernandez Rodrigues, condenado pelo crime, nesta sexta-feira (25/9).
Em relato emocionado, Isabela Karen afirmou que descobriu, por meio do advogado da família, que Rafael passou ao regime semiaberto e deverá utilizar tornozeleira eletrônica. Ela relembrou o impacto provocado pela morte da irmã e criticou o que considera uma falha das leis brasileiras.
Irmã critica regime semiaberto e uso de tornozeleira
Isabela afirmou que recebeu a notícia por telefone e que a informação fez voltar à tona o sofrimento provocado pelo assassinato de Kimberly. “Acabei de descobrir que o assassino dela está no semiaberto, já vai começar a usar tornozeleira e começar a viver por aí”, afirmou.
Na sequência, ela questionou o funcionamento do sistema de Justiça brasileiro e lembrou que a pena de Rafael já havia sido reduzida anteriormente. “É desse jeito que são nossas leis no Brasil”, disse Isabela, que também relatou as dificuldades enfrentadas pela família desde a morte da jovem.
Veja vídeo (Reprodução @isabelakarenn):
O caso
Kimberly Karen Mota de Oliveira tinha 22 anos quando foi assassinada. O corpo da jovem foi encontrado na madrugada de 12 de maio de 2020, em um apartamento no Centro de Manaus. Segundo a investigação, ela apresentava marcas de facadas no pescoço e no abdômen.
A jovem havia sido eleita Miss Manicoré em 2019 e era acadêmica de Odontologia. O município de Manicoré fica a cerca de 332 quilômetros de Manaus. Kimberly e Rafael Fernandez se conheceram em uma boate de Manaus. Conforme as investigações, Rafael já acompanhava a jovem pelas redes sociais antes de os dois iniciarem um relacionamento. Segundo a Polícia Civil, Kimberly decidiu terminar o relacionamento, que havia durado aproximadamente dois meses.
Fuga e prisão
Rafael foi apontado pelas autoridades como principal suspeito do assassinato e passou a ser procurado após o corpo da jovem ser encontrado. Após o crime, ele teria deixado Manaus e iniciado uma fuga que durou aproximadamente 24 horas antes de ser localizado.
A passagem dele por Roraima foi registrada em uma barreira sanitária na Vila do Jundiá, em Rorainópolis, durante o período da pandemia de Covid-19. No dia 13 de maio de 2020, a Polícia Civil de Roraima encontrou o carro utilizado por Rafael capotado na BR-174, em Caracaraí, no sul do estado. Segundo as investigações, havia suspeita de que ele pretendia chegar à Espanha passando pela Venezuela.
De acordo com as informações do caso, após o acidente, Rafael pegou carona e depois usou um táxi para chegar a Caracaraí, onde teria realizado um saque. Em seguida, seguiu para Boa Vista, onde retirou mais dinheiro, e depois foi para Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Ele foi preso na tarde de 15 de maio de 2020, após novas buscas realizadas pelas forças de segurança. Na ocasião, dois venezuelanos, de 24 e 17 anos, também foram presos por suspeita de favorecimento pessoal.
Condenação
Em 2021, Rafael Fernandez foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de Kimberly. Segundo o material do processo, ele confessou o crime e afirmou que a ex-Miss Manicoré estaria mentindo para ele.
Agora, a informação sobre o cumprimento da pena em regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica, provocou nova manifestação da família da vítima. Para Isabela, a mudança representa uma nova ferida para os familiares, que continuam convivendo com as consequências da morte de Kimberly.
*com informações do AmPost

