Em um encontro estratégico no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou o empenho e a mobilização das centrais sindicais para garantir a aprovação no Congresso Nacional do projeto de lei que visa reduzir a jornada de trabalho para, no máximo, 40 horas semanais e extinguir a escala de trabalho 6×1. A reunião ocorreu nesta quarta-feira (15), em Brasília, após a “marcha da classe trabalhadora” que reuniu representantes de diversas categorias na Esplanada dos Ministérios.
Dirigindo-se aos líderes sindicais, Lula enfatizou a necessidade de pressão e articulação política para que a proposta, já enviada ao Legislativo, avance. “Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, declarou o presidente, ressaltando que o período é desafiador e exige esforço conjunto. Ele justificou a importância da colaboração sindical, afirmando que “cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”.
Durante o evento, o presidente prestou homenagem a Rick Azevedo, ativista e ex-balconista que idealizou o movimento “Vida Além do Trabalho”, inspirador do projeto de redução de jornada. Azevedo relatou ter sofrido burnout e depressão devido ao excesso de trabalho e à escassez de descanso, o que o levou a viralizar um vídeo no TikTok denunciando o modelo de trabalho com apenas um dia de folga semanal.
Lula aproveitou a ocasião para tecer críticas a reformas anteriores, como a Trabalhista de 2017 e a da Previdência de 2019, classificando-as como retrocessos para a classe trabalhadora. Ele alertou sobre a existência de grupos que defendem propostas semelhantes às implementadas na Argentina, que poderiam levar ao aumento da jornada diária para 12 horas.
Representantes das centrais sindicais celebraram a iniciativa do governo. Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), projetou que a redução da jornada pode gerar até 4 milhões de empregos e impulsionar uma nova indústria voltada para a sustentabilidade. Ele também destacou os riscos da pejotização e a necessidade de proteger os direitos dos trabalhadores.
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, celebrou a mobilização de mais de 20 mil trabalhadores e ressaltou que a redução da jornada significa mais tempo para a família, saúde, lazer e estudo. Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, apresentou ao presidente uma pauta com 68 reivindicações para os próximos cinco anos, abordando as transformações tecnológicas e seus impactos, especialmente sobre mulheres e jovens, além das questões climáticas.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, enfatizou a necessidade de proteger trabalhadores por aplicativo e entregadores, priorizando a saúde e o futuro da juventude. Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), acrescentou a importância de incluir o combate ao feminicídio na pauta da classe trabalhadora, por meio da conscientização e educação.

