O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou veementemente a política externa adotada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação a países como Irã, Cuba e Venezuela. Lula enfatizou que nenhuma nação possui o direito de impor ameaças a outras com base em discordâncias políticas ou ideológicas.
Em entrevista ao jornal espanhol El País, Lula declarou que Trump não tem a prerrogativa de “acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”, ressaltando que tal conduta não é amparada pela Constituição americana nem pela Carta das Nações Unidas.
A declaração surge em um contexto de tensões internacionais, onde Trump chegou a ameaçar o Irã com um “crime de genocídio” caso o país não aceitasse os termos americanos para o fim de conflitos no Oriente Médio. Lula condenou tais ações, afirmando que “nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país” ou de “não respeitar a soberania dos outros países”.
O presidente brasileiro lamentou a ausência de lideranças globais que priorizem a paz e a cooperação, argumentando que os países de maior influência devem assumir uma responsabilidade maior na manutenção da estabilidade mundial. Lula também alertou para o risco de uma “terceira guerra mundial”, classificando-a como uma “tragédia dez vezes mais potente” que a Segunda Guerra Mundial, caso a política de intervenção continue.
Abordando a situação de Cuba, Lula condenou o prolongado embargo econômico e o endurecimento das sanções, questionando a lógica por trás de um bloqueio de quase sete décadas. Ele contrastou a situação cubana com a crise humanitária no Haiti, argumentando que a preocupação com o povo cubano deveria se estender a outras nações em dificuldades, independentemente de seus regimes políticos.
Quanto à Venezuela, Lula reiterou a posição brasileira de que as eleições de julho de 2024 devem ocorrer e seus resultados ser respeitados, permitindo que o país vizinho retorne à paz. Ele criticou a ideia de que os EUA “possam administrar a Venezuela”.
Em relação às tarifas impostas pelos EUA a exportações brasileiras, Lula relembrou conversas com Trump, onde destacou a importância de os chefes de Estado focarem nos interesses nacionais, em vez de convergência ideológica. Após negociações, os EUA retiraram tarifas sobre produtos brasileiros, e posteriormente, a Suprema Corte americana derrubou tarifas impostas a diversos países.

