O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (16/9), que o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), não pode permitir que o escândalo do extinto Banco Master atrapalhe as eleições deste ano. “O presidente Fachin tem a responsabilidade de fazer com que isso não atrapalhe o processo eleitoral. Porque as pessoas que criaram o Banco Master foram eles [no governo de Jair Bolsonaro], eles que criaram. Foi criado quando o Roberto Campos era presidente do Banco Central, indicado por eles”, disse em entrevista ao podcast Desce a Letra.
Na mesma entrevista, Lula voltou a afirmar que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) é obcecado pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo o presidente, o candidato do PL não estaria acusando o ministro do STF por um eventual envolvimento no Caso Master, mas por “raiva” porque Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro. “A obsessão deles é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre pelo Banco Master. Não é por isso que eles têm raiva. Ele [Flávio Bolsonaro] tem rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre é porque o Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle, ele tem raiva porque o Moraes mandou prender o pai dele e os golpistas do 8 de Janeiro”, afirmou o presidente.
Na sequência, Lula afirmou que o magistrado “prestou grandes serviços à democracia brasileira”, ao relembrar a atuação de Moraes como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022. “Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições e ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras”, disse.
A fala ocorre um dia após o STF realizar uma sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Cobrança sobre financiamento de “Dark Horse”
Para Lula, no lugar de acusações à Suprema Corte, seu adversário deveria explicar o destino dos “milhões que ele pegou do Vorcaro”, em referência ao financiamento do ex-banqueiro ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao se referir ao longa, Lula o chamou de “filme mequetrefe”.
Críticas a Eduardo Bolsonaro
Também sobraram críticas ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos. O presidente disse que o terceiro filho de Jair Bolsonaro seria preso caso voltasse ao Brasil. “Vai ser preso porque traidor da pátria tem que ser preso. […] É quase que uma quadrilha, não família”, completou Lula.
Resposta de Flávio Bolsonaro
Em agenda de campanha no último sábado (12/9), Flávio Bolsonaro havia rejeitado a tese de que existiria qualquer irregularidade envolvendo o Dark Horse, argumento reforçado, segundo ele, pela informação de que o STF abriu um inquérito para investigá-lo em julho deste ano. “Graças a Deus, o sigilo foi afastado de tudo e às claras para todo mundo ver o que eu sempre disse que não tem absolutamente nada de errado nesse filme. Estou muito tranquilo, o impacto é zero. Está tudo aberto para quem quiser ver. Para minha surpresa, eu estou sendo investigado há dois meses e o que é que surgiu contra mim? Nada. Esse é o maior atestado de idoneidade, é disso que eu precisava. Precisava vir a público para que todos pudessem parar com essa narrativa, para que o Lula não usasse mais essa narrativa. Ele viu que não tem nada de errado”, disse Flávio Bolsonaro.

