O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou o decano Gilmar Mendes no aplicativo de mensagens WhatsApp na terça-feira (8) da semana passada. O bloqueio ocorreu após um desentendimento entre os ministros, iniciado a partir da formação de maioria na Segunda Turma pelo afastamento do delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na análise em sessão virtual do colegiado, Nunes Marques votou pelo afastamento do delegado, referendando a decisão de André Mendonça. O voto foi dado menos de cinco minutos depois do de Luiz Fux e resultou em maioria pela manutenção do afastamento de Andrei Rodrigues. Os votos foram inseridos no sistema do STF poucos minutos após Gilmar Mendes pedir vista e adiar a conclusão do julgamento. O decano interpretou o episódio como um movimento orquestrado entre os colegas e enviou mensagem a Nunes Marques criticando sua postura.
As cobranças do decano foram embasadas em citações a familiares dos dois ministros encontradas em mensagens no celular de Daniel Vorcaro. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles e confirmada pela CNN.
Tom da conversa sobe entre os ministros
O diálogo se tornou mais tenso. Gilmar Mendes afirmou que os colegas pareciam servos e submissos a Mendonça e que deveriam abrir suas contas bancárias. “Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar Mendes. Nunes Marques pediu que Gilmar o respeitasse e afirmou que aquela não era uma postura adequada.
O decano rebateu dizendo que não respeitava quem não se dava ao respeito, reiterando a sugestão para que o colega e Fux não participassem do julgamento, além de defender que Nunes Marques deixasse a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, respondeu Nunes Marques. Gilmar Mendes encerrou a troca cobrando transparência sobre as contas do colega antes de julgar processos ligados ao Caso Master na Segunda Turma. “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz”, afirmou Nunes Marques.
Impedimento e mensagens sobre suposta mesada
A relação entre os ministros piorou ainda mais durante a sessão sobre o prosseguimento da investigação contra Alexandre de Moraes. Nos bastidores, Nunes Marques chegou a sinalizar que votaria a favor do avanço da investigação, o que irritou o entorno de Moraes, incluindo Gilmar Mendes. Nesta terça-feira (15/9), Nunes Marques se declarou impedido de participar da análise do episódio, argumentando que, como presidente do TSE, buscava evitar a contaminação política do caso.
Mais cedo, a CNN revelou que mensagens obtidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram diálogos sobre pagamentos que seriam destinados a Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques. O conteúdo integral do celular de Vorcaro havia sido disponibilizado aos gabinetes dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Em conversa com Vorcaro, Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, menciona pagamentos mensais de R$ 500 mil a Kevin Marques.
A CNN procurou a assessoria de Kevin Marques e aguarda retorno. Em sessão no STF, Nunes Marques negou que o filho tenha prestado serviços ao Banco Master e afirmou que “nunca” trocou mensagens com Vorcaro.

