O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu, nesta quinta-feira (17/9), a incorporação de canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio de campanha foi feito durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Minas Gerais.
“Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade. Quando um médico detectar que um homem ou mulher tem problema de se curar […] os médicos também têm que contribuir. Daqui a pouco vai ter deputado jogando caneta para o povo. É uma irresponsabilidade, a pessoa que tem que saber se vai fazer bem para a saúde”, disse o presidente. Em seguida, Lula explicitou que o uso das canetas deve ser limitado a pessoas que necessitam do tratamento por não conseguirem emagrecer, enalteceu o papel do exercício físico e manifestou o desejo de viver até os 120 anos de idade.
Não é a primeira vez que o presidente menciona o uso do medicamento. Em março, Lula já havia dito que o remédio não pode ser um “prêmio para gente relaxada” e que seu uso deve ser acompanhado de exercício físico: “Qual é o problema de caminhar 30 minutos, 1 hora”.
Estudo do Ministério da Saúde embasa a iniciativa
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa de disponibilizar o medicamento de forma gratuita faz parte de um estudo sobre o uso de análogos de GLP-1 em pacientes do SUS. Para o estudo, denominado Real-Bari, foi implementado um protocolo de pesquisa para o uso da semaglutida em pacientes com obesidade, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do Hospital Nossa Senhora Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). Segundo o Ministério da Saúde, “ao todo, serão acompanhados 250 pacientes do SUS atendidos pelo hospital com obesidade grave ou associada a outras morbidades”.
As canetas emagrecedoras hoje dependem de alguns entraves legais para integrar o SUS. A semaglutida, um dos princípios ativos do medicamento, perdeu a patente no Brasil em março de 2026, o que permite a produção de genéricos em escala maior.
Segundo Padilha, o governo desenvolveu a iniciativa a partir de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orientou os países a avaliarem o acesso a esse tipo de medicamento, por entender que ele pode ter efeitos benéficos para outras questões de saúde. “Assim que a OMS divulgou esse relatório, o Ministério da Saúde e a Anvisa chamaram empresas nacionais e internacionais, lançaram um edital e perguntaram quem teria condições de produzir, aqui no Brasil, a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expirava neste ano de 2026. Tivemos uma resposta muito boa”, disse o ministro.
Ainda segundo Padilha, a oferta do medicamento pelo SUS será feita “de forma responsável, com base em estudos e na definição de um protocolo clínico”. Ele negou que as canetas emagrecedoras serão incorporadas ao SUS como um “milagre estético”.
As canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis de aplicação sob a pele, usados originalmente para tratar o diabetes tipo 2 e que ganharam fama pela grande eficácia na perda de peso e apelo estético. O produto atua no cérebro para inibir o apetite e o desejo por comida, além de estimular a produção de insulina e controlar a glicose no sangue.

