O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou veementemente as declarações de Donald Trump, classificando as ameaças do ex-presidente dos Estados Unidos como “inconsequentes” e desnecessárias. Lula defendeu o Papa Leão XIV, que recentemente trocou farpas com Trump, ressaltando que “ninguém precisa ter medo de ninguém”.
Em entrevista a veículos de comunicação brasileiros, Lula argumentou que Trump busca criar narrativas para agradar sua base eleitoral e projetar uma imagem de superioridade dos Estados Unidos. “O Trump não precisava ficar ameaçando o mundo”, afirmou o presidente, relacionando as tensões internacionais a um impacto negativo na economia global, especialmente nos preços dos combustíveis.
O desentendimento entre Trump e o Papa Leão XIV ganhou destaque após o ex-presidente americano criticar a postura do pontífice em relação a questões internacionais, como as ações dos EUA no Irã e na Venezuela. Trump acusou o Papa de ser “terrível em política externa” e de tentar agradar a “esquerda radical”. A resposta do Papa foi direta: ele declarou não temer o presidente americano e reiterou sua crença na mensagem de paz do Evangelho.
Lula expressou solidariedade ao Papa Leão XIV, com quem disse ter tido um encontro positivo. “Saí muito bem-impresso. Quero ser solidário a ele, porque está correta a crítica que ele fez ao presidente Trump”, declarou o presidente brasileiro.
Abordando outro tema, Lula comentou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. Segundo o presidente, a detenção de Ramagem, condenado no Brasil a 16 anos por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, é resultado da cooperação policial internacional entre Brasil e EUA. “Ele tem que voltar para o Brasil para cumprir a sua pena”, enfatizou Lula, desmentindo a versão de que a prisão teria sido por uma infração de trânsito.
A Polícia Federal confirmou que a prisão de Ramagem em Orlando, Flórida, ocorreu devido à cooperação entre as autoridades brasileiras e o ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement). Ramagem, que fugiu do Brasil em setembro passado após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal, estava foragido e com mandado de prisão pela Interpol.

