Manaus voltou a amanhecer encoberta por fumaça nesta quarta-feira (9/9), um dia após a capital registrar concentração de partículas em diferentes pontos da cidade. Nas primeiras horas da manhã, moradores voltaram a relatar forte cheiro de fuligem e mato queimado, enquanto a fumaça dificultava a visualização do horizonte em várias áreas.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), consultados por volta das 6h desta quarta-feira (9/9), mostraram piora significativa na qualidade do ar em parte das estações de monitoramento. Os maiores registros de concentração de PM2,5 chegaram a 116,5 µg/m³, 115,9 µg/m³, 111,3 µg/m³, 107,9 µg/m³ e 98,8 µg/m³, índices enquadrados na faixa de “muito ruim” apresentada pelo sistema. Outras estações apresentavam níveis classificados como “muito ruim”, “ruim” e “moderado”, o que indica que a concentração dos poluentes variava conforme a região da cidade. O Selva ressalta que os dados de material particulado são obtidos por sensores de baixo custo e devem ser utilizados apenas como indicativo das condições locais.

A situação se repete um dia após Manaus também ter amanhecido sob fumaça, nesta terça-feira (8/9). Em reportagem publicada nesta terça-feira (8/9), A Crítica mostrou que a alteração na direção dos ventos favoreceu o transporte de plumas provenientes de áreas de queimadas no Sul do Amazonas, Sul de Rondônia e Norte de Mato Grosso em direção à capital. Segundo o pesquisador Fábio Nunes, do Laboratório de Clima e Ambiente (Labclim) da UEA, a mudança temporária no regime de ventos está relacionada ao avanço de uma frente fria pelo centro-sul do país. A estiagem também contribui para a permanência das partículas na atmosfera, já que a ausência de chuva reduz a chamada deposição úmida, mecanismo natural de remoção dos poluentes.
O Amazonas, paralelamente, registrou 1.167 focos de calor entre os dias 1º e 7 de setembro, o maior número entre os estados brasileiros no período, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

