Em uma sessão solene na Câmara dos Deputados, especialistas e parlamentares debateram o avanço alarmante da obesidade no Brasil e no mundo, defendendo a necessidade de políticas públicas mais robustas e ações integradas para combater a doença.
A obesidade, que já afeta mais de 1 bilhão de adultos globalmente e é responsável por quase 4 milhões de mortes anuais por doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão e diabetes, tem visto um crescimento exponencial no Brasil. Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2006 e 2024, a prevalência de excesso de peso mais do que dobrou, atingindo 62,6% da população brasileira, com 25,7% classificados como obesos.
Durante o debate, realizado em alusão ao Dia Mundial da Obesidade (4 de março), o deputado Pinheirinho (PP-MG) destacou o impacto da obesidade no sistema de saúde. “A obesidade não vem sozinha. Ela é uma porta de entrada para uma série de doenças crônicas que comprometem não apenas a saúde individual, mas também o desenvolvimento social e econômico do país”, afirmou.
O médico Leonardo Sebba, representante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, ressaltou que o tratamento da obesidade vai além de soluções medicamentosas como as chamadas “canetas emagrecedoras”. Ele enfatizou que o excesso de peso está associado a diversas comorbidades, incluindo doenças cardiovasculares, apneia do sono e problemas renais.
O deputado Mário Heringer (PDT-MG) propôs a quebra de patentes de medicamentos como a tirzepatida, substância presente em fármacos para diabetes e que também induz à perda de peso, argumentando que a medida poderia democratizar o acesso a tratamentos. Contudo, o médico Leonardo Augusto da Fonseca reforçou a importância de mudanças de hábitos, como a prática de atividade física e a reeducação alimentar, como pilares para um tratamento contínuo e eficaz.
Natasha Alencar, do Voz do Advocacy, denunciou o estigma enfrentado por pessoas com obesidade, frequentemente rotuladas como portadoras de “falta de força de vontade”. Ela defendeu o reconhecimento da obesidade como uma doença multifatorial e crônica, necessitando de acompanhamento multiprofissional.
Representantes do Ministério da Saúde, como Kelly Poliany de Souza Alves, apelaram por maior colaboração entre os poderes Executivo e Legislativo para o cofinanciamento de serviços de saúde e a estruturação de programas de prevenção e tratamento. Foram mencionadas iniciativas como a proibição de ultraprocessados na merenda escolar (PL 1248/23) e a criação de centros de referência para tratamento da obesidade (PL 343/23).
A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) defendeu a aprovação do Estatuto da Pessoa com Obesidade (PL 4328), que visa viabilizar políticas públicas e reconhecer os direitos dessas pessoas, alinhando-se às metas nacionais de enfrentamento de doenças crônicas. A prevenção desde a infância também foi um ponto crucial, com o deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO) alertando para os riscos da obesidade infantil e suas consequências a longo prazo.

