A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados sediou um debate crucial para o futuro do paradesporto brasileiro. Entidades, atletas e representantes do governo discutiram a importância do investimento financeiro para o desenvolvimento social e o alto rendimento de paratletas no país.
Durante a audiência pública, o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP) apresentou um panorama animador de sua evolução. Desde 2020, a entidade expandiu sua base de 11 para 211 clubes filiados. O presidente do CBCP, João Batista Carvalho e Silva, informou que em 2025 foram captados R$ 20 milhões, beneficiando quase 4 mil paratletas, com 1.779 atendidos apenas no primeiro semestre deste ano. O comitê tem como objetivo auxiliar clubes menores, muitas vezes com dificuldades de gestão, a acessar recursos e orientação especializada.
Apesar do crescimento, o CBCP alertou para a desigualdade regional na concentração de seus filiados. A região Sudeste lidera com 41% dos clubes, enquanto a região Norte representa apenas 7%. Representantes de atletas e clubes ressaltaram que o apoio do comitê diminuiu a dependência de arrecadações informais para a participação em competições. No entanto, atletas com deficiências mais severas solicitaram a revisão dos critérios de programas como o Bolsa Atleta, e houve preocupação com a retirada de provas dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, que pode impactar o apoio a cerca de 300 atletas.
O deputado Saulo Pedroso (PSD-SP), proponente do debate, enfatizou o papel do esporte como ferramenta de transformação social, destacando seus benefícios para a saúde e a economia. A ex-deputada e paratleta Rosinha da Adefal reforçou a necessidade de revisão na distribuição de recursos de loterias e apostas para atender à crescente demanda por estrutura acessível, equipamentos e profissionais qualificados.
Em resposta, o secretário nacional do Paradesporto do Ministério do Esporte, Fábio Araújo, anunciou o programa Vencer pelo Esporte. A iniciativa prevê a integração de atividades esportivas nos Centros Especializados em Reabilitação (CER) do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele também informou que parlamentares poderão destinar até 50% de suas emendas de saúde para apoiar ações esportivas dentro do SUS, fortalecendo assim o paradesporto no Brasil.

