O PL rejeita o que considerou sinais emitidos pela ala governista do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um eventual acordão político e deverá levar adiante, em 2027, processo de impeachment de Alexandre de Moraes e também de Flávio Dino, nesta segunda-feira (5/10). No caso de Dino, a decisão depende da forma como ele reagirá a uma eventual derrota de Lula.
Ao longo do dia, o entorno do candidato Flávio Bolsonaro entendeu que houve acenos desse grupo do STF sobre a possibilidade de um acordo que poupasse ministros da Corte em troca, por exemplo, da revisão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do aceite pelo Supremo da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.
Os sinais de aproximação
A defesa de Jair Bolsonaro protocolou um novo pedido de revisão criminal, e o relator, Kassio Nunes Marques, sinalizou que pretende pautar o processo após o segundo turno.
O gesto considerado inicial nesse sentido, porém, foi a mensagem do ex-presidente Michel Temer, que manifestou apoio a Flávio Bolsonaro antes mesmo de os demais partidos e candidatos derrotados à Presidência o fazerem. Temer indicou Moraes ao STF em 2017 e é o elo político entre o ministro e a família Bolsonaro.
PL rejeita diálogo e mira o Senado
O PL, no entanto, rejeita qualquer acordo ou diálogo com Moraes. No partido, há preferência para que o assunto seja resolvido pelo próprio STF, com a abertura de investigação contra o ministro por sua relação com Daniel Vorcaro e o consequente afastamento enquanto durarem as apurações.
Também há a leitura de que o perfil combativo de Moraes será mantido, e restaria ao PL abrir o processo de impeachment no Senado em 2027. Nas contas da legenda, já há 49 votos garantidos pelo afastamento do ministro, e faltariam apenas cinco para atingir o mínimo necessário de 54.
Dino também pode ser alvo
A legenda também mira o impeachment de Flávio Dino, a depender de sua atuação caso a vitória de Flávio Bolsonaro seja confirmada nas urnas. O entendimento é que o ministro entrará no foco se avançar em investigações, como a de interferência estrangeira nas eleições brasileiras, como pretexto para questionar o resultado eleitoral, ou se mantiver sob sigilo apurações sobre eventuais irregularidades no uso de emendas parlamentares.

