A decisão do Senado de barrar a nomeação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) gerou reações distintas entre os parlamentares na Câmara dos Deputados. Enquanto a oposição celebrou a rejeição como um triunfo para a democracia, a base governista lamentou a medida, argumentando que o Senado desrespeitou a vontade popular.
A indicação de Messias, atual advogado-geral da União, foi negada por 42 votos a 34 nesta quarta-feira (29). Deputados de oposição classificaram o resultado como uma vitória contra o que consideram um intento de aparelhamento do Judiciário. O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), descreveu a votação como a “maior vitória” do Congresso Nacional em defesa do Estado Democrático de Direito, ressaltando que o mérito é do povo brasileiro.
Em contrapartida, parlamentares da base governista criticaram a decisão senatorial. O líder do PT, Pedro Uczai (SC), afirmou que o Senado “virou as costas” para o povo e para a democracia ao rejeitar um nome considerado “ilibado, decente, coerente e evangélico”. Uczai expressou confiança de que a democracia e o povo brasileiro prevalecerão sobre aqueles que se opõem ao governo, prevendo vitórias nas próximas eleições.
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), parabenizou os senadores pela mensagem enviada ao Executivo, interpretando a votação como um sinal claro de descontentamento. Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) lamentou a rejeição de um profissional que, segundo ele, possuía todas as qualificações necessárias para o cargo de ministro do STF.
Com a rejeição, a mensagem de indicação de Jorge Messias foi arquivada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agora precisará apresentar um novo nome para ocupar a vaga no STF, aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso em outubro de 2025. Este episódio marca a primeira vez em 132 anos que uma indicação ao STF é formalmente rejeitada pelo Senado. As cinco rejeições anteriores ocorreram em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, logo após a criação do tribunal em 1890.

