O governo argentino expressou disposição em enviar forças militares para o Oriente Médio, caso seja solicitado pelos Estados Unidos. A declaração foi feita pelo porta-voz do governo, Javier Lanari, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo. Lanari afirmou que qualquer assistência considerada necessária pelos EUA seria fornecida, embora tenha ressaltado que desconhece se tal pedido foi feito.
Desde o início de sua gestão, o presidente Javier Milei tem mantido uma forte aproximação com Israel e os Estados Unidos, adotando políticas alinhadas a Washington. Exemplos dessa política incluem a promessa de transferir a embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém, um gesto de apoio a Israel cujo status de capital é disputado por palestinos. Milei também já classificou o Irã como um “inimigo” e reiterou acusações sobre o envolvimento iraniano no atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994, alegação negada por Teerã.
A postura de Milei em relação ao Irã gerou reações no cenário internacional, com o jornal iraniano Tehran Times publicando um editorial que critica as posições do governo argentino, considerando-as uma afronta à segurança nacional iraniana e um alinhamento aos interesses dos EUA e de Israel.
A declaração sobre o possível envio de tropas ocorre em um contexto de denúncias de corrupção que envolvem o presidente Milei e um projeto de criptomoeda chamado Libra. Relatos da imprensa argentina indicam a existência de um suposto acordo financeiro envolvendo o presidente e sua irmã dias antes da promoção da Libra nas redes sociais. O presidente ainda não se pronunciou oficialmente sobre as novas acusações, enquanto a oposição parlamentar busca iniciar investigações.
Historicamente, a Argentina já participou de operações militares no Oriente Médio. Em 1991, durante a Guerra do Golfo, o então presidente Carlos Menem enviou navios de guerra para apoiar o bloqueio naval. Anteriormente, em 1982, o país esteve envolvido na Guerra das Malvinas contra o Reino Unido, um conflito no qual os Estados Unidos apoiaram a posição britânica.

