Cuba comemora o centenário do nascimento de Fidel Castro Ruz, figura central da Revolução Cubana de 1959, em um momento marcado por severas dificuldades energéticas e crescentes tensões com os Estados Unidos. A data, ponto alto de celebrações que se estendem desde o ano passado, encontra a ilha caribenha lidando com apagões frequentes, que afetam tanto a vida cotidiana da população quanto o desenvolvimento econômico.
Especialistas internacionais e o próprio governo cubano apontam a pressão americana, intensificada pelo embargo econômico, como um dos principais fatores por trás da crise energética. A dificuldade na importação de petróleo e derivados, somada a um sistema de produção elétrica obsoleto, limita a capacidade do país de suprir sua demanda, que chega a ser apenas um terço da necessidade nacional. Estimativas projetam uma queda de 6,5% na economia cubana para 2026.
A situação humanitária gerada pela crise energética levou especialistas em direitos humanos da ONU a condenarem a pressão dos EUA, comparando o risco de uma “Gaza silenciosa” em Cuba. O presidente Miguel Díaz-Canel tem classificado o bloqueio americano como “genocídio político”. O embargo, que remonta a 1962, foi endurecido e afeta setores vitais como o de saúde, descrito por alguns cubanos como o pior momento já vivido pelo país.
Fidel Castro, nascido em Birán, liderou a Revolução Cubana após o ataque ao Quartel Moncada em 1953 e um período de exílio, culminando na tomada do poder em 1º de janeiro de 1959. Seu governo, que durou quase cinco décadas, implementou nacionalizações, reforma agrária e ampliou o acesso à saúde e educação, mas também atraiu críticas por práticas antidemocráticas, regime de partido único, censura e perseguição a opositores. Organizações como Human Rights Watch e Anistia Internacional reconhecem os avanços sociais, mas denunciam a repressão a dissidentes e a negação de liberdades políticas.
Após se licenciar por motivos de saúde em 2006, Fidel Castro renunciou definitivamente à presidência em 2008, sendo sucedido por seu irmão Raúl Castro. Fidel faleceu em novembro de 2016, aos 90 anos, deixando um legado complexo e polarizador, visto por uns como um símbolo de soberania nacional e conquistas sociais, e por outros como um regime autoritário. A atual crise na ilha é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o embargo americano, o colapso de aliados como a URSS e a Venezuela, e a pandemia de COVID-19.

