A Câmara dos Deputados realizou nesta quarta-feira (18) debates cruciais sobre a saúde renal no Brasil, com foco na criação de uma Política Nacional de Prevenção e Cuidado da Doença Renal Crônica. A iniciativa visa combater o avanço da doença, que se projeta como a quinta maior causa de morte mundial até 2050, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).
Parlamentares, representantes do governo e da sociedade civil debateram a urgência de um modelo preventivo e de diagnóstico precoce, em contrapartida ao atual sistema reativo, que concentra gastos em terapias de estágio avançado, como hemodiálise e diálise peritoneal. O deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG) destacou que o Brasil investe anualmente mais de R$ 4,5 bilhões em tratamentos que poderiam ser evitados com ações de atenção primária.
Isadora Calvo, diretora da SBN, alertou para o caráter silencioso da Doença Renal Crônica (DRC), enfatizando a importância de exames simples para detecção precoce. Ela ressaltou que a diálise, embora necessária em muitos casos, tem um impacto na mortalidade superior a alguns tipos de câncer. A SBN defende a adoção de novas terapias que, quando aplicadas a tempo, podem alterar significativamente o curso da doença.
Em resposta, Artur Lobato, diretor do Ministério da Saúde, anunciou investimentos no setor, incluindo reajustes na tabela de procedimentos como hemodiálise e diálise peritoneal, além da habilitação de 49 novos serviços de diálise. O ministério busca integrar a atenção especializada com a primária para monitorar pacientes com fatores de risco, como diabetes e hipertensão.
Representantes da coalizão Vozes do Advocacy trouxeram à tona os desafios enfrentados por pacientes, como longas distâncias para tratamento e a necessidade de expandir a diálise peritoneal domiciliar. A advogada Anna Patrícia Silva mencionou o diabetes como principal causa de falência renal e defendeu a modalidade domiciliar por ser mais econômica e proporcionar maior autonomia.
As discussões ocorreram em alusão ao Dia Mundial do Rim e contaram com a participação do deputado Vinicius Carvalho (Republicanos-SP), presidente da Frente Parlamentar da Nefrologia, que defende a união entre governo e oposição para priorizar a saúde pública renal.

