A Polícia Federal (PF) começa a produzir, nesta quarta-feira (14/10), relatórios no âmbito do caso Master com citações a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). São seis ministros da Suprema Corte e ao menos dois do STJ mencionados em conversas encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel.
A produção dos relatórios com base na extração de dados passa a ser feita após autorização do ministro Edson Fachin, presidente do STF, que orientou a cúpula da PF a encaminhar à Corte relatórios sobre o caso. Até então, as informações estavam indefinidas e sem destino na PF.
Reunião definiu destino do material
O destino do material foi selado em reunião na terça-feira (13/10) entre Fachin, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o diretor-executivo, William Murad, e o diretor de combate ao crime organizado, Dennis Cali.
Fachin disse aos delegados que uma eventual realização de atos de investigação contra ministro depende de autorização do plenário da Corte. Ressaltou, porém, que a PF tem o dever de encaminhar todas as menções encontradas, sem exceção, acompanhadas de seu contexto, em caráter estritamente descritivo.
Ou seja, serão relatórios meramente informativos, para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o STF decidam se haverá investigação. É o mesmo caminho do último julgamento marcado para definir se o ministro Alexandre de Moraes seria investigado, caso que foi paralisado após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
O precedente de Toffoli
Em fevereiro deste ano, a PF apresentou a Fachin o que seria um primeiro relatório citando um ministro. Em cerca de 200 páginas com dados extraídos de Vorcaro, havia menções ao ministro Dias Toffoli. O documento aponta mais de dez ocasiões em que Vorcaro teria se encontrado com Toffoli, além de mensagens sobre pagamentos e conversas envolvendo a empresa familiar do ministro (Maridt) e o resort Tayayá, no Paraná.
O material não foi um relatório final de indiciamento, mas um levantamento de dados do banco de dados e dos aparelhos periciados, para subsidiar investigações.
Na época, após a entrega do material pelo diretor-geral da PF, Toffoli deixou a relatoria dos processos relacionados ao Banco Master, e o ministro André Mendonça foi sorteado para assumir a função. Posteriormente, em fevereiro, Fachin arquivou trechos do relatório sobre a suspeição.

